22 de fevereiro de 2012

Barulho de chuva


Chove lá fora. O barulho da chuva é tão refrescante quanto ela própria. Faz alguns meses que entrei na chuva. E me molhei. Hoje tive a impressão ter visto minha tia que mora em Manaus, ela está de férias na cidade e ainda não nos vimos, falta de tempo suponho agora. Eu estava na fila do supermercado e a olhei, se era ela, ela não me reconheceu. Ela sempre teve uma pose aristocrática e uma sofisticação natural, uma sonora risada e um caloroso abraço de boas vindas. A mulher que me deixou duvidosa no mercado estava mal tratada. Cabelos rudemente lisos, raiz branca, de chinelos e roupas desgrenhadas. A fisionomia era da minha tia, a mulher, no entanto me encarou sem me reconhecer, em partes por que eu também perdi a minha pose aristocrática costumeira. Bom, os antigos sapatos de salto foram substituídos por burlescas sandálias havaianas. A maquiagem hoje se resume a base e rímel. Eu julgo já ter passado da zona de perigo, sou uma sobrevivente. Não sobrou mais do que uma geleira no lugar do meu coração. Tenho um novo amigo que observou preocupado (eu acho): “Você às vezes parece uma pedra de gelo quando fica no seu stand by, senhora de gelo.” Enfim, o prelúdio diz que vem mais chuva e que talvez eu deva me apaixonar. Muito embora eu não suporte nem de perto a idéia, sinto falta de partilhar coisas, conversar, cuidar. Existe um cara, ele é gentil e divertido. No fim das contas, minha expectativa é só uma: Não me faça ficar aos pedaços novamente. E acho que isto está bem escrito na minha testa. Cresci muito pra aprender que uma pessoa é capaz de recomeçar tantas quantas vezes puder cair. Eu esgotei minha cota de quedas. Uma coisa boa? Meus olhos voltaram a brilhar e ontem me peguei chorando de emoção. Por quê? Achei que nunca mais iria conseguir sorrir do fundo do meu coração. E eu estou sorrindo, faz alguns dois meses. E meus olhos brilham, graças a Deus. O que mais uma garota poderia querer? Ferragamo & Louboutin... Na seqüência, por favor. Não que eu seja fútil, mas, após meses de reclusão dentro de mim mesma encabeçando profecias antigamente cantadas, agora eu preciso mesmo reassumir a pose aristocrática e a sutileza vermelha dos fios dos meus cabelos. Agora que voltei a gostar de ser eu, preciso fazer jus ao que está por dentro. A leveza que eu sou junto com a paz que eu sinto e a força que emano. Enfim, as pessoas passam a me reconhecer como realmente sou. Carne de pescoço na doçura do meu sorriso. Quem souber me amar assim, não vai precisar usar nem o laço nem a força pra me domar, arrisco a dizer, ainda que sem plena certeza, que me darei por inteiro sem ao menos pestanejar. A chuva parou, prenúncio do quem vem por aí? Ainda é Fevereiro. E ainda que eu venha evitando contato social constante, estou aberta ao que vem pela frente. Que as novas profecias me lancem de novo na alta roda, ou na roda de samba, contanto que eu não permaneça no estado solido pra sempre e que o pra sempre, sempre acabe, estarei feliz e todos ficarão satisfeitos por não se preocuparem mais com as lágrimas que eu poderia derramar. A mulher no supermercado, provavelmente não era minha tia aristocraticamente chique, se era, há algo de errado, disso eu sei. Quanto ao homem gentil e engraçado, não alimento nada mais do que sorrisos. Quanto ao restante, bom Fevereiro e ótema viajem!
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