10 de agosto de 2013

A bailarina e o palhaço

Não me avisaram que bailarinas podiam ficar tristes. Não avisaram que palhaços choravam. Nunca me disseram que palhaços não serviam pra serem amados. Nunca me disseram que bailarinas não podiam dançar em picadeiros. Nunca me disseram que palhaços partiam corações de bailarinas. Nunca me disseram que o circo não era uma casa pra morar.
Enquanto escrevo isso, tenho em mente a imagem de um palhaço chorão, não aquele com a pintura borrada e feia, mas aquele de cara branca de tinta, boca vermelha enorme, cabelos coloridos e uma lágrima preta pintada abaixo dos olhos ao lado de um pequeno coração. Seus olhos castanhos brilhantes,... na verdade não sei, devo explicar que não me lembro mais, mas de qualquer forma sei que brilham; mas não imaginem que ele chore de verdade, não, ele chora mesmo no coração, no pequeno coração ao lado da lágrima pintada de preto. E ele é um palhaço romântico, me oferece uma flor, mas nunca me fala nada gentil; digo verdade quando digo que ele nem fala mais comigo.
Não sou louca, até gosto de beber, água, suco... "garçom, por favor, vodka com gelo e limão... Não, na verdade não agora, preciso terminar de escrever." Uma bailarina nunca pode perder a música, os passos, a perfeição. Mas eu me achei quando me perdi dentro de um palhaço. Como diz a canção: "eu não sabia buscar, foi quando apareceu, o que eu quis inventar, pra preencher o meu mundo particular... No peito que era seu...". Sinto saudades das flores do palhaço e do jardim que ele me deu,... só não me lembro mais a cor dos olhos dele, e quase me sinto desesperada de saber que nunca mais vou vê- lo como eu já vi. O amor é mesmo ingrato, é um bêbado bohêmio sem dono. Me fez entregar o coração a um palhaço. Bem que me avisaram: "garota, se você não sabe, o circo sempre vai embora... Eles sempre dobram as lonas e viajam pra longe...". Longe dos olhos; e do coração, não?
Triste é gostar de quem não gosta de você, e muito triste é gostar tanto de si e não gostar de mais ninguém, e triste mais que tudo é estar triste pelos dois motivos. E sabe, essa é aquela hora que eu penso em ir pra casa, sacolas de compras mas mãos, fui no mercado, comprei morangos, estou andando com os fones no ouvido ouvindo Lady Antebellun e Maroom 5, e não sei por que, mas não quero ver ninguém, abaixo os olhos, olho pros meus pés, e percebo que é apenas um sentimento, mal posso crer que acabou, e as flores ficaram no banco de trás do carro. Tudo que temos é um boa noite, um obrigada, um palhaço entre lágrimas e uma bailarina confusa. A saudade vem, quando eu acordo, quando eu durmo, quando eu fico sem ar, quando eu fecho os olhos e não posso e nem consigo te encontrar. Não tenho uma música com ninguém, mas sinto falta de ouvir música com você, sinto falta do seu maldito perfume que parece entranhado na minha pele, e droga, gosto de você. Você nunca sabe quando tem algo realmente bom, nem sabe se merecia perder, mas a vida é assim... Um picadeiro... Uma hora é a vez do palhaço, outra hora é a vez da bailarina. No fim do último ato, o palhaço faz palhaçada e a bailarina dança. A moral da história? Ambos só queriam ser amados... Ironicamente, foram pelo orgulho afastados, por dois mundos impossíveis de estarem no mesmo espetáculo. Não vou pra casa, é o que decidi, a bailarina vai dançar... "garçom, vodka com gelo e limão, e uma dose de desamor, por favor..." na mesa ao lado o que eu vejo é engraçado, um homem, ele tem a marca de uma lágrima ao lado de um coração... o outro garçom anota o pedido dele enquanto ele diz: " E... Me traz um guardanapo, por favor...". A música no salão é suave, eu apenas sorrio tentando ver no escuro do bar, a cor brilhante do seu olhar..
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