23 de abril de 2015

The One


TheOne94, foi essa a imagem que quebrou meu coração, (eu vivo com o comboio de corda quebrado, nada grave, só inspiração, Fernando Pessoa que o diga). Quantos "the ones" temos na vida? Esse era o 94 de alguém, e isso me fez lembrar da história de Mariana Alcoforado, a freira que amou Chamilly, que a abandonou, e ela amou o amor. Teve apenas um, pra toda vida. Dona de cinco cartas apaixonadas, magoadas, choradas e conformadas. Não se escrevem cartas hoje em dia, também me lembrei disso. Não se fazem mais promessas de amor e votos de fidelidade. Vinicius de Moraes e seu soneto caíram no esquecimento, ( de tudo ao meu amor serei atento...), já não existe o fogo de Camões, realmente, visto do ângulo do Catra, "o amor é um fogo que arde sem se ver", tão leviano quanto pode parecer. E eu escreveria ao TheOne94 por pura curiosidade. São 94 chances de achar o amor? Foram 94 vezes bem amadas? Janis Joplin que se compadeça de nós, que voz. São 94 vidas pra amar? Ou é apenas o número de vezes que foi único pra alguém? Acho que não vou saber a reposta. Eu tenho um the one, com pelo menos 23 tons de cinza bem escuros, (já que o filme está na moda). Não, ele não é perfeito, é mau humorado, tem um vinco na testa que nunca sai, adora chocolate e tem a mania insana de me acordar no meio da madrugada com qualquer mensagem no celular, só pra perguntar: "tá aí?!", hoje eu coloco no silencioso, e ele gosta do Roberto Carlos, o que faz dele alguém único, e os doces, os doces estão entre nós, até acho que um dia ele vai me dar uma aliança feita de bala de açúcar ou de alcassus. Me veio a mente outra vez a história de Mariana, o que ela viu em Chamilly por entre as frestas da abadia foi algo único que só ela poderia saber e sentir. Mesmo Chamilly tendo a abandonado após lhe ensinar o amor, ela não desistiu. Eu poderia imaginar Mariana debruçada em sua escrivaninha, com o olhar perdido, imaginado quantas léguas marinhas separavam Portugal da França, em seus pensamentos ela gostaria apenas de enviar um suspiro a seu the one, só pra que ele soubesse que foi único. E existem muitas formas de ser único. Em alguns corações um grande amor pode ser "o único que me fez sorrir de verdade", "o único a me fazer pensar em casar", "o único a me fazer comer bife de fígado", em outros corações no entanto, o amor fica gravado a ferro e fogo, sacramentado, tatuado, inesquecível, (Sandy & Júnior que o digam com suas músicas eternamente românticas), e essa pessoa se torna simplesmente "a única", e talvez haja remédio para o amor, amar. E o antídoto nem sempre é o que esperamos. As vezes nosso the One fica à mil léguas submarinas, tão longe que não se pode ver, ou talvez ele não esteja tão afim de você, as vezes ama mas não pode ficar nem pro café. Mas no fundo tudo que desejamos é o que Rhumi escreve em seus poemas, e pra traduzir, vou parafrasear Djavan: "um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem, é teu e de mais ninguém (the One)".
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