17 de dezembro de 2016

Aquilo que eu digo sem dizer.


As vezes o último que sai, apaga a luz. E eu fico no completo escuro, tateando as paredes, derrubando coisas preciosas pelo chão. As vezes uns vidros caros, cujos cacos cortam meus pés. As vezes encontro a minha cama e me deito nela por 2mil anos, e apenas durmo, sonhando com a vida normal. As vezes o último que sai, deixa a luz acesa, já não é preciso tatear. Então eu me encontro com o espelho. E o que eu vejo me assusta, me apavora, “apaguem a luz”, eu murmuro enquanto procuro na minha face, aquilo que eu já fui um dia. Vejo meu sangue escorrer, dos pés feridos pela caminhada, quero chorar. Então me derramo em águas claras, cristalinas. Não sei pra onde vai essa água. Só sei que tem um moinho que a leva do meio da sala, pro resto do mundo.

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