7 de fevereiro de 2017

Sobre várias coisas e mandar cartas

Tanta comunicação ... isso deve ser qualquer coisa prejudicial. Vou voltar a me comunicar por cartas. Demora, mas "no fundo no fundo", como se diz por aí em algum lugar, tudo que é difícil tem uma durabilidade maior. Acho que fui eu que disse isso, baseada em alguém que disse que: "tudo que vem fácil, vai fácil", tanto faz. Na verdade mesmo, eu parei pra pensar no quanto tudo hoje em dia é banal. Ninguém por aí tem um vazio pra ser preenchido? Está todo mundo feliz? Ninguém sente falta de mais romance, de mais "eu gosto de você", de mais abraços, de se entregar sem olhar as estatísticas, a logística, o caderno de economia, ninguém precisa de mais "eu te amo"? Ai, tão normal ser feliz e perfeito hoje em dia. Ninguém tem? Uma dor pra compartilhar, um trauma, uma esquisitice? Uma mania? Um tique nervoso? Será que vivemos a verdade sobre quem somos? Vou contar uma verdade sobre mim: todos os dias eu me levanto bem cedo, com preguiça suficiente pra não levantar da cama. E sempre acerto meu cotovelo em alguma quina, acendo a luz, fecho os olhos de novo e escuto os primeiros acordes da canção do dia, um passarinho, um grilo deslocado. Hoje a canção me fez levantar e me arrastar para o banheiro e sorrindo, arrisquei cantar. A letra da música me lembrou das velhas cartas de amor escritas a mão, e que já escrevi algumas cartas apaixonadas, e que talvez, eu tenha ensaiado escrever uma de amor verdadeiro, mas, esquece isso. Ninguém mais escreve cartas de amor? Lembrei da pobre Mariana Alcoforado, ela escreveu 5 cartas de amor, que não foram respondidas. As cartas atravessaram a distância de Portugal até a França. As cartas demoraram a chegar e o amor de Mariana atravessou décadas, 1 século? Permaneceu intocado e sem reposta. Quantos amores não são assim? Impossíveis, incompreendidos, não correspondidos. Tanta faca no coração. Alguns de nós já sentiu rejeição, e o medo? Esse massacra.
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