30 de junho de 2017

As crônicas de uma rua barulhenta

O Rio de Janeiro é tudo, menos silencioso, e isso me perturba muito. Agora são 01:20 da madrugada e eu não consigo dormir por que a rua está um esporro. Até ainda a pouco tinha um homem fazendo um serviço de serralheria numa loja em frente ao meu prédio, putz grilo, esmerilhou qualquer coisa ali por uma hora inteira. Agora o barulho parece ser de serra elétrica, alguém da prefeitura decidiu podar árvores. Tudo bem, tudo bem, nessa rua movimentada, não daria pra podar umas árvores de dia, mas fazer isso às 01:20 da madrugada, é muita sacanagem também. E outra, aqui nessa rua, passa ônibus, e se você nunca veio ao Rio, nunca saberá o quanto eles são loucos, não vai saber. Eles pisam no freio como loucos e aceleram como malucos, quem dorme com barulho de freio e motor? Só o louco do meu marido que cresceu nessa selva de pedras. Antes também tinha o caminhão de lixo que eu apelidei de Bragalha, que passava pontualmente às 3:00 da manhã me acordando. E às 5:00 é hora do supermercado receber os produtos trazidos por um caminhão, que faz barulho pra baixar a plataforma, faz barulho da rodinha dos carrinhos subindo e descendo da plataforma e faz barulho de gente gritando enquanto joga caixotes de plastico no chão, ato que também faz barulho. Quantas horas sobram pra eu dormir? Nenhuma. Fico louca. Não aguento. Gente, eu nasci e cresci em uma cidade do interior, na minha casa eu só ouvia grilo, apenas grilo. Quando é inverno, nem o grilo canta. Sobra o silêncio gente, um silêncio tão gostoso, que se cair uma estrela cadente você ouve o barulho que ela faz apagando no céu. É exatamente assim. Agora aqui no Rio, você ouve tudo, acabou de disparar um alarme, agora tem uma cara gritando, passou uma moto muito barulhenta, os homens cortando as árvores decidiram gritar uns com os outros feito pessoas malucas, isso eu escuto porque eu moro no oitavo andar de um prédio, ainda bem que o vizinho não resolveu dar festa hoje, por que ele dá a festa dele na sacada de frente pro meu ap e a música vem dentro de casa, a gente tem sempre que reclamar no prédio dele, pra ele abaixar o som, pior que ele só ouve música ruim, a poda das árvores continua... a noite vai ser longa. 
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