11 de outubro de 2013

Tudo ou Qualquer coisa

As vezes a gente perde um pouquinho da sensibilidade com as coisas não é? As vezes nós não sabemos até que ponto as pessoas sofrem pelas suas perdas, as vezes até fingimos certa empatia, mas o fato é que cada um sabe a dimensão do que trás no peito. E as vezes, (e isso bem mais frequente do quero aparentar quando escrevo "as vezes"), só as vezes, a dor é realmente maior do que um ser humano pode suportar. Acabei de ler O Caçador de Pipas, nunca vi o filme, mas parei durante algumas horas nesses dias que o tive em mãos e pensei. Pensei em como a guerra devasta um país, em como a guerra devasta as pessoas, de um jeito imensurável, de um jeito sem volta. Pensei nas vezes que me queixei de alguma dor, algum problema, e nas repetidas vezes que vi tudo dando errado e tive que começar do zero. E percebi, que cada um tem a dor que tem. E cada um tem da vida o que planta. Acho que nunca compreendi tanto essas frases: "você colhe aquilo que planta" e "Deus sabe o que faz". Eu sempre acreditei que mais cedo ou mais tarde a vida acaba por nos cobrar pelos excessos, pelos escassos, pelos acertos e pelos erros. Por que no final, as vezes, tudo tem um preço, um preço alto. E as vezes as dores não vão embora, por que a vida não é um eterno entardecer amarelado, e embora em parte possamos ser felizes, todos um dia acumulamos uma lembrança que nos envergonha e nos fere por dentro. Fico feliz por um lado. A vida é justa de um jeito estranho e torto que não compreendo, mas a justiça sempre é bem vinda quando já estamos cansados da tirania, da opressão, do desapego. É nessa hora que penso sobre um antigo provérbio sobre o bem e o mal, que diz que ambos acabam. A bíblia por exemplo nos dá exemplos de "torne o mal em bem", "ame o próximo", acho que Deus sabia que teríamos dores, e que só conseguiríamos nos curar, cuidando do outro e deixando de olhar para nós mesmos. Acho as vezes, que Deus faz a dor alheia pra curar a minha, não no sentido de vingança, não pensei nisso, mas no sentido de me sentir útil e vazia das minhas próprias. Egoísmo? Não sei, sei que as vezes meu peito queima por que não consigo ver alguém com tanto mal, sem nenhum bem. Mas nos últimos meses me vi tão fundo nas dores que são particulares que hoje me senti insensível. E amar alguém, não é apenas ser romântico, é como disse o escritor do livro que acabei de ler, e que vou parafrasear com as minhas conclusões: amar alguém é dizer "eu faria isso mil vezes por você." E "isso", é tudo ou qualquer coisa. 
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